A Elequoência dos Afetos pelo Aedo Ensemble, no próximo domingo, na Musicórdia

A Elequoência dos Afetos pelo Aedo Ensemble, no próximo domingo, na Musicórdia

A Elequoência dos Afetos pelo Aedo Ensemble, no próximo domingo, na Musicórdia

A transição do século XVI para o XVII foi um período de grande alvoroço intelectual em Itália. Enquanto escolásticos e humanistas esgrimiam argumentos filosóficos, no domínio da música um aceso debate estético haveria de culminar no nascimento daquilo a que hoje denominamos música barroca.

No entender de alguns compositores do final do século XVI, a polifonia vocal desenvolvida ao longo dos dois séculos anteriores tinha atingido um grau de elaboração tal que as complexas texturas polifónicas hipotecavam a inteligibilidade, sentido e afectos veiculados pelo texto.

A busca de uma nova linguagem musical onde a palavra assumisse primazia sobre a música materializou-se então sob dois aspectos. Por um lado, o madrigal (composição polifónica sobre um poema secular) tornou-se o “laboratório” onde diversos compositores fizeram as mais variadas experiências. A finalidade destas era a de ilustrar, realçar e até mesmo potenciar o poder expressivo das palavras através da música levando a um uso cada vez mais livre da dissonância, a uma profusa utilização de “pintura sonora de palavras” e a uma crescente aproximação entre processos composicionais e a antiga arte da retórica. Por outro lado surge a monodia acompanhada onde a textura a quatro ou cinco partes do madrigal é abandonada em favor de uma só parte vocal com acompanhamento instrumental realizado harmonicamente sobre uma linha de baixo. Estes dois desenvolvimentos culminariam no início do século XVII com o aparecimento do madrigal concertado e da ópera.

Os pioneiros deste novo estilo de composição foram os elementos de um círculo de músicos e pensadores conhecido por Camerata Fiorentina entre os quais se contavam Giulio Caccini e Jacopo Peri (co-compositores da primeira ópera) e Vincenzo Galilei (pai do famoso Galileo). Seria Claudio Monteverdi, no entanto, o grande arauto daquilo que ele próprio baptizou como seconda prattica. Figura cimeira da história da música, Monteverdi levou ambos os estilos de composição, o “antigo” e o “novo”, a patamares de expressividade ímpares e seria uma figura de influência marcante para os compositores da sua geração e da seguinte.

O programa deste concerto aborda duas faces de uma mesma moeda, por assim dizer: a expressão afectiva em cantos seculares e sacros utilizando os mesmos recursos musicais e retóricos. Gravitando em torno da música de Claudio Monteverdi, as obras e compositores aqui apresentadas foram seleccionados de modo a serem ilustrativos de como uma mesma estética musical pode veicular afectos tão díspares como o amor passional ou a devoção religiosa. Da diversidade temática, emerge depurada a essência da Nuova Musica que nasceu em Itália no início do século XVII: através do som e da palavra tocar o coração do ouvinte.
musicordia

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